INFLUÊNCIA DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA E DOS ASPECTOS FENOLÓGICOS DE Tithonia diversifolia HEMSL. A. GRAY (ASTERACEAE) NA SUA COMPOSIÇÃO QUÍMICA E ATIVIDADE BIOLÓGICA
Nome: ANA CAROLINI CAVALLIERI ZATTA
Data de publicação: 12/02/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| HILDEGARDO SEIBERT FRANÇA | Examinador Interno |
| IARA DA COSTA SOUZA | Examinador Externo |
| MARIA DO CARMO PIMENTEL BATITUCCI | Presidente |
Resumo: Tithonia diversifolia Hemsl. A. Gray, popularmente conhecida como girassol mexicano, é
uma espécie da família Asteraceae reconhecida pelo seu potencial farmacológico, incluindo
atividades antioxidante, anti-inflamatória e antiproliferativa. A variabilidade da composição
química de espécies vegetais pode ser influenciada por fatores ambientais e fenológicos,
impactando diretamente na sua bioatividade. O presente estudo teve como objetivo analisar
e correlacionar a composição química e a atividade antiproliferativa de extratos
hidroalcoólicos de folhas de Tithonia diversifolia provenientes de cinco localidades do
Espírito Santo (Colatina, Muniz Freire, Viana, UFES-Vitória e Santa Teresa), coletadas nos
estádios vegetativo (2014) e reprodutivo (2015). Além disso, para avaliar a estabilidade
temporal, uma nova coleta foi realizada após 10 anos (2024) nas localidades da UFES e
Santa Teresa. A caracterização química dos extratos foi realizada por Espectroscopia no
Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR), Espectrometria de Massas por
Ionização por Eletrospray (ESI-TOF) e análises quimiométricas (Análise de Componentes
Principais - PCA e Análise de Agrupamento Hierárquico - HCA). Os resultados
evidenciaram um perfil químico diversificado, com a anotação de metabólitos secundários
de interesse, tais como ácidos hidroxicinâmicos (ex.: ácido cafeoilquínico), flavonoides (ex.:
apigenina, naringenina), lactonas sesquiterpênicas (ex.: tagitinina A) e ácidos graxos. A
análise multivariada revelou um agrupamento das amostras com base na origem geográfica,
destacando-se as amostras de Santa Teresa por apresentarem um perfil químico distinto e
maior variabilidade temporal. A atividade biológica foi avaliada por meio de ensaios in vitro
utilizando as linhagens celulares MCF-7 (carcinoma de mama) e MCF-10A (epitélio
mamário não tumoral). Os ensaios de viabilidade celular (MTT) demonstraram que os
extratos possuem atividade antiproliferativa concentração-dependente contra células MCF
7. Os extratos MUF4 e MUF5, provenientes de Muniz Freire, apresentaram os maiores
Índices de Seletividade (IS > 2,0), indicando ação preferencial sobre as células tumorais.
Enquanto os ensaios de proliferação (cristal violeta) e clonogenicidade corroboraram com a
inibição do crescimento e da capacidade de formação de colônias pelas células MCF-7
tratadas com esses extratos. A investigação dos mecanismos de ação revelou que MUF4 e
MUF5 induziram um aumento significativo na produção de espécies reativas de oxigênio
(EROs), causaram parada do ciclo celular, predominantemente nas fases S e G2/M, e
ativaram a apoptose, conforme confirmado pelo ensaio de Anexina V/PI. Não foi observada, contudo, indução significativa de fosforilação da histona H2AX (-H2AX), um marcador de
danos de dupla fita no DNA, sugerindo que a citotoxicidade não é mediada por
genotoxicidade direta, mas sim por desequilíbrio redox e estresse celular. Conclui-se que a
composição química e a atividade antiproliferativa de Tithonia diversifolia variam conforme
a localidade geográfica e o estádio fenológico da planta. Os extratos de Muniz Freire
destacaram-se por sua atividade seletiva contra células de câncer de mama, atuando por meio
da indução de estresse oxidativo, modificações no ciclo celular e ativação da apoptose. Os
resultados reforçam o potencial terapêutico da espécie e destacam a importância de se
considerar a origem botânica e as condições de cultivo no desenvolvimento de fitoterápicos.
